Guia definitivo para escolher a sua pasta de dentes e elixir

Guia definitivo para escolher a sua pasta de dentes e elixir

O corredor da higiene oral no supermercado é confuso, e não é por acaso. A resposta a "qual devo escolher" depende menos do marketing e mais das suas necessidades concretas.

Porque existem tantas opções de pasta de dentes

A quantidade de pastas de dentes disponíveis não reflete apenas estratégia de marketing. Reflete também o facto de existirem necessidades orais muito diferentes entre pessoas.

Alguém com gengivas sensíveis não tem os mesmos objetivos que alguém que procura sobretudo prevenir cáries. Uma pessoa com maior propensão para tártaro tem necessidades distintas de alguém que apenas procura frescura e uma sensação de limpeza.

O problema é que, muitas vezes, a escolha é feita com base na embalagem ou na promessa mais apelativa, e não na composição real do produto. Por isso, o primeiro passo para escolher bem é saber o que procurar.

O que deve procurar no rótulo de uma pasta de dentes

Antes de olhar para a promessa da embalagem, vale a pena olhar para três elementos concretos.

Presença de flúor. O flúor continua a ser o ingrediente mais estudado e mais recomendado para a prevenção de cáries. Organismos como a FDI World Dental Federation e a Organização Mundial da Saúde recomendam o uso de pasta de dentes fluoretada como parte essencial da higiene oral diária, para a generalidade da população adulta. Uma pasta sem flúor pode fazer sentido em situações específicas, indicadas por um médico dentista, mas não deve ser a escolha por defeito sem esse acompanhamento.

Concentração e função dos ingredientes ativos. Além do flúor, muitas pastas incluem ingredientes com funções específicas: compostos para reduzir sensibilidade, agentes de controlo de tártaro ou ingredientes com ação antibacteriana.

Estes ingredientes fazem diferença quando escolhidos de acordo com uma necessidade real, e não apenas porque constam na lista da embalagem.

Abrasividade. Todas as pastas de dentes têm um grau de abrasividade, necessário para remover placa bacteriana. Pastas com abrasividade muito elevada, normalmente associadas a fórmulas branqueadoras de uso frequente, podem não ser adequadas para uso diário prolongado, sobretudo em pessoas com esmalte mais fino ou sensibilidade. Quando existam dúvidas sobre a adequação de uma pasta mais abrasiva à sua situação, a recomendação mais segura é confirmar com um médico dentista.

Pasta de dentes por tipo de necessidade

Sensibilidade dentária. Pastas formuladas para sensibilidade contêm normalmente compostos que ajudam a bloquear os canalículos dentinários, reduzindo a resposta a estímulos como frio, calor ou doce. O efeito não costuma ser imediato: a maioria destas fórmulas exige uso regular durante algumas semanas para que o benefício se torne percetível. Se a sensibilidade for intensa, súbita ou localizada a um único dente, isso pode indicar um problema que precisa de avaliação clínica, e não apenas de uma pasta diferente.

Prevenção de cáries. Para quem tem maior propensão a cáries, o fator mais relevante continua a ser a presença de flúor em concentração adequada, associada a uma escovagem correta e regular. Não existe pasta de dentes capaz de substituir uma técnica de escovagem deficiente.

Saúde das gengivas. Pastas direcionadas à saúde gengival costumam incluir ingredientes com ação anti-inflamatória ou antibacteriana, pensados para complementar o controlo da placa junto à linha da gengiva.

É importante referir que nenhuma pasta de dentes trata, isoladamente, uma gengivite já instalada. Nesses casos, a avaliação por um médico dentista ou higienista oral é o passo mais importante.

Controlo de tártaro. Estas fórmulas ajudam a reduzir a acumulação de novo tártaro, mas não removem o tártaro já existente. A remoção de tártaro acumulado só é possível através de destartarização profissional.

O papel do elixir na higiene oral

O elixir, ou colutório, é frequentemente tratado como um passo opcional ou até dispensável. Na prática, o seu valor depende muito da fórmula e do objetivo com que é usado.

De forma geral, os elixires podem ter três tipos de função principal:

- reforço da ação antibacteriana, útil no controlo de placa;

- alívio temporário de sensibilidade ou desconforto gengival;

- frescor e sensação de limpeza, sem função terapêutica relevante.

Nem todos os elixires servem o mesmo propósito, por isso a escolha deve seguir a mesma lógica da pasta de dentes: identificar a necessidade antes de escolher o produto.

Com ou sem álcool. Elixires com álcool podem causar sensação de secura ou desconforto em algumas pessoas, especialmente em quem sofre de boca seca ou tem mucosa oral mais sensível. Nestes casos, existem alternativas sem álcool com eficácia semelhante em termos de controlo de placa.

Quando o elixir faz sentido, e quando não é necessário

O elixir não substitui a escovagem nem o uso de fio dentário ou escovilhões interdentários. A sua função é complementar, não corretiva.

Faz mais sentido considerar o uso de elixir quando:

- existe indicação profissional específica, por exemplo após tratamento periodontal;

- há dificuldade em aceder a determinadas zonas apenas com escovagem e fio dentário;

- existe necessidade de controlo adicional de placa bacteriana.

Pode não ser necessário, ou até ser dispensável, quando a rotina de escovagem e limpeza interdentária já é consistente e eficaz, e não existe nenhuma indicação clínica específica para o uso de elixir.

Usar elixir "porque sim", sem perceber o que está a resolver, não traz benefício adicional relevante.

Como montar a sua rotina de higiene oral

Uma rotina de higiene oral eficaz não depende de acumular produtos, mas de escolher os certos para a sua situação e usá-los corretamente.

Como ponto de partida, a maioria das recomendações de organismos como a FDI assenta em três pilares:

1. Escovagem duas vezes por dia, com pasta fluoretada, durante cerca de dois minutos.

2. Limpeza interdentária diária, com fio dentário ou escovilhões, consoante o espaço entre os dentes.

3. Uso de elixir apenas quando existir uma necessidade ou indicação específica para tal.

A partir destes três pilares, a escolha de produtos deve ser ajustada ao que a sua boca precisa, e não ao que a publicidade sugere ser universal.

Conclusão

Escolher pasta de dentes e elixir não deveria ser uma decisão feita ao acaso, em frente ao linear do supermercado. A escolha certa depende das suas necessidades concretas, seja sensibilidade, prevenção de cáries, saúde gengival ou controlo de tártaro.

O elixir, por sua vez, só acrescenta valor real quando responde a uma necessidade específica, e não quando é usado apenas por hábito.

Sempre que existam dúvidas sobre qual a combinação mais adequada ao seu caso, a melhor fonte de orientação continua a ser o seu médico dentista.

Perguntas frequentes

Posso usar pasta de dentes branqueadora todos os dias?
Depende da fórmula. Algumas pastas branqueadoras têm abrasividade mais elevada e não são recomendadas para uso diário prolongado. Em caso de dúvida, confirme com o seu médico dentista se a fórmula é adequada ao uso contínuo.
O elixir pode substituir o fio dentário?
Não. O elixir tem uma função complementar. Não remove a placa bacteriana de forma mecânica, como o fio dentário ou os escovilhões interdentários fazem.
Toda a gente precisa de pasta de dentes com flúor?
Para a generalidade dos adultos, sim, é a recomendação padrão de organismos como a FDI e a Organização Mundial da Saúde. Exceções devem ser sempre indicadas por um médico dentista.
Elixires sem álcool são menos eficazes?
Não necessariamente. Existem elixires sem álcool com eficácia semelhante no controlo de placa bacteriana, e que são mais indicados para pessoas com boca seca ou mucosa sensível.
Com que frequência devo trocar de pasta de dentes?
Não existe uma regra fixa. A pasta deve ser escolhida em função da necessidade atual, que pode mudar ao longo do tempo, por exemplo após um período de maior sensibilidade ou após tratamento dentário.

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